quinta-feira, agosto 30, 2007

Capítulo 10 - A passos largos

A obra adventista iniciada em Gaspar Alto e quase simultaneamente em outras partes do Brasil avançou a passos largos. Na Igreja de Gaspar Alto foi estabelecida, em 1897, a primeira escola missionária adventista brasileira, dirigida inicialmente por Guilherme Stein Jr. Dela saíram colportores, professores e alguns pastores que, “unidos no mesmo ideal, trabalharam em regiões diversas espalhando a mensagem adventista pelo Brasil afora”.[1]

Por volta de 1900 – cinco anos depois da sua organização – a Igreja de Gaspar Alto já tinha mais de cem membros. O aumento crescente de interessados e novos conversos, principalmente nos estados sulinos, no Espírito Santo e Rio de Janeiro, levou a Associação Geral a providenciar um pastor efetivo para o Brasil: Huldreich F. Graf.

Natural da Alemanha, Graf foi morar nos Estados Unidos, onde aceitou a mensagem adventista, sendo ordenado pastor em 1891. Foi enviado ao Brasil pela Associação Geral, chegando ao Rio de Janeiro em quatro de outubro de 1895. Durante 12 anos trabalhou como evangelista, assumindo depois a presidência da Missão Brasileira e da Associação Rio-Grandense.[2] Em maio de 1902, a Missão Brasileira passou a ser Associação Brasileira, então com 900 membros, e o pastor Graf continuou como presidente. Em 1906 foi organizada a União Sul-Americana, e a Associação Brasileira foi dividida em três áreas:

1. Associação Rio Grande do Sul (com mais de 300 membros), com o pastor Graf como presidente.

2. Associação Santa Catarina-Paraná (com cerca de 400 membros), com Waldemar Ehlers como presidente.

3. Missão de São Paulo, com sede em Rio Claro (com 20 membros), tendo como presidente Frederick W. Spies.

Graf foi um grande exemplo de pioneiro. Seus trabalhos como pastor lhe custavam longas e contínuas viagens. Os caminhos naquele tempo eram pouco conhecidos e difíceis, e os meios de locomoção mais rápidos e seguros eram o cavalo, a mula ou o burro. Sobre sua viagem mais longa escreveu um livro chamado Cem Dias no Lombo de Uma Mula. Foi nessa viagem que o pastor Graf encontrou a família Kümpel, na região de Passo Fundo, RS. Ali ficou durante 11 dias e batizou 40 pessoas, dentre as quais os cinco filhos do casal Guilherme e Helena Kümpel, pioneiros da obra adventista no Rio Grande do Sul. Calcula-se que o pastor Graf tenha viajado, durante seus 12 anos de ministério, cerca de 25 mil quilômetros em cima de burro. Mais que meia volta ao mundo pela linha do Equador!

Em certa ocasião, viajava pela região de Taquari em busca de alguns crentes. À tarde percorria uma trilha aberta em um bosque, quando a mula desviou para a esquerda por um caminho estreito. O pastor Graf tentou fazer o animal voltar ao caminho principal, sem sucesso. Conformado, disse ao animal:

– Eu não quero ser como Balaão. Vá por onde Deus te guiar.

Depois de mais ou menos uma hora, chega à casa de um colono.

– Vim aqui por que a mula me indicou este caminho. Sou um missionário adventista e penso que Deus me guiou à tua casa com algum propósito.

– Graças a Deus! – responde o colono entusiasmado. – Faz quase dois anos que estamos pedindo ao Senhor que nos envie um missionário adventista!

O pastor Graf ficou três dias naquela casa, ao final dos quais realizou o batismo da família. Mais tarde, organizou-se ali uma igreja.

Noutra ocasião – relata Héctor Peverini – Graf viajava perto da cidade de Cachoeira do Sul, acompanhado por outro missionário. De repente, começou uma tormenta que obrigou os dois a se refugiarem num bar. Os homens que estavam bebendo, ao notar que os dois eram missionários, começaram a caçoar de Deus e da religião. O pastor Graf os repreendeu suavemente:

– Meus amigos, vocês não deviam falar assim do Deus dos Céus.

– Se há um Deus no Céu – diz arrogantemente um homem com uma garrafa de cachaça numa das mãos e um cigarro de palha apagado na outra, – quero ver Ele acender o meu cigarro.

Dizendo isso, estende a mão para fora da casa, no mesmo instante em que um raio o fulmina completamente.

Anos mais tarde, quando o pastor Ernesto Roth dirigia uma série de conferências em Picada do Rio, muitas pessoas ainda recordavam do trágico incidente que inspirou respeito a Deus e a Seus ministros. Mas as perseguições continuaram em outras regiões.

Certa ocasião, o pastor Graf, auxiliado pelo pastor Ernesto Schwantes, dirigia reuniões em uma tenda, próxima à cidade de Rolante. Mas um caboclo da região não estava contente com o grande número de pessoas que participavam dos encontros. Empenhou-se em impedir o avanço da mensagem adventista. Numa quinta-feira à noite, quis impedir a entrada do povo à tenda dizendo, aos gritos, que amarraria os missionários protestantes à cauda de um burro e os arrastaria pela colônia até acabar com eles.

Na noite do sábado seguinte, o homem foi a um baile. De repente, começou uma briga. Um tiroteio. E o caboclo acabou sendo atingido por várias balas no ventre. No hospital, antes de morrer, sussurrou: “Eu blasfemei contra Deus e contra os adventistas, por isso tenho que morrer tão miseravelmente.”

“Foi exatamente em Rolante (Fazenda Passos) que surgiu uma das mais fortes igrejas, que produziu cerca de duas centenas de obreiros que ajudaram a levar a mensagem para todas as fronteiras do Brasil.”[3]

Huldreich Graf batizou mais de 1400 conversos e organizou mais de vinte igrejas durante seus 12 anos de trabalho no Brasil. Pôs em marcha várias escolas, uma das quais foi a base do Instituto Adventista de Ensino (hoje Unasp, campus São Paulo) e contribuiu, também, para a criação da primeira casa editora do Brasil. Depois de retirar-se do trabalho por motivos de saúde e regressar aos EUA por algum tempo, voltou ao Brasil para passar aqui seus últimos anos de vida.

Huldreich F. Graf foi o primeiro ministro designado para trabalhar no Brasil

Outro homem que contribuiu grandemente para a consolidação da obra adventista no Brasil foi Frederick Weber Spies. Spies chegou ao Brasil em 1896, um ano depois de Graf. Era norte-americano de origem alemã. Aceitou a fé adventista em 1888, aos 22 anos, e trabalhou quatro como colportor (vendedor de literatura religiosa). Foi enviado à Alemanha para dirigir a obra de colportagem naquele país, de onde foi chamado à América do Sul.

Trabalhou os primeiros anos como pastor nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais. Em 1900 foi transferido para Santa Catarina. Viajou, às vezes acompanhado por sua esposa, milhares de quilômetros nesse Estado, como também no Paraná e Rio Grande do Sul. Em 1903 foi para o Rio de Janeiro. De 1917 até 1923, foi presidente da União Sul-Brasileira. O território foi dividido, então, em duas grandes unidades administrativas. Dirigiu também a União Este do ano de 1923 a 1927. De 1927 a 1932 foi gerente da Casa Publicadora Brasileira.

Spies foi um dos principais dirigentes do movimento adventista no Brasil durante suas três primeiras décadas. Foi também um dos pastores adventistas que mais viajaram pelo País nos tempos em que os meios de locomoção eram precários. Em um período de quatro anos percorreu 950 quilômetros por água, 800 de trem e 2.700 em lombo de burro.

“Aqueles dias primitivos” – escreveu Spies na Revista Mensal de setembro de 1924 – “requeriam sacrifícios de toda espécie: longas e penosas viagens em lombo de burro ou a cavalo, e a ausência de casa de dois a seis meses cada vez. Eram poucas as semanas passadas em casa em cada ano; porém, o trabalho não foi inútil... podemos exclamar: Quantas coisas tem feito Deus!”

Frederick Weber Spies foi um dos principais dirigentes da Igreja Adventista durante suas três primeiras décadas no Brasil

A Mensagem Impressa

No Brasil, a obra adventista deve seu início e expansão, sem dúvida, à página impressa e ao trabalho dos colportores. Além do pioneiro Albert B. Stauffer, dois irmãos colportores – Alberto e Frederico J. Berger – iniciaram no Rio Grande do Sul, em 6 de agosto de 1895, o seu plano de vendas de literatura nas colônias alemãs. Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espírito Santo também foram trabalhados por esses dois homens.

Segundo o Dr. Gideon de Oliveira, em artigo publicado no livro História de Nossa Igreja, “esses pioneiros da colportagem eram verdadeiros heróis que rasgavam o sertão em suas montarias, levando seus livros, vivendo intrepidamente cada dia as surpresas e os percalços da jornada aventureira – calor, fome, frio, chuva torrencial, lama, ventania. Muitas vezes dormindo ao relento e expostos a animais perigosos, mas não desanimavam em sua nobre missão”.

Nas pegadas desses pioneiros, seguiram Henrique Tonjes, Germano Conrado, Emílio Froeming, Hans Mayr, Saturnino Mendes de Oliveira, Antônio L. Penha, José Negrão, Hermínio Sarli, André Gedrath e muitos outros que propagaram a mensagem adventista nos diversos cantos brasileiros.

A colportagem no Brasil começou a se desenvolver mais a partir do momento em que se passou a publicar literatura em português. Inicialmente, foi impresso o Arauto da Verdade, periódico editado de 1900 a 1913; foi substituído depois pela revista Sinais dos Tempos, até 1918, quando passou a ser publicada a revista O Atalaia e, depois, novamente Sinais dos Tempos.


Grande impulso foi dado à evangelização com a publicação de revistas em português. Na foto, o primeiro número de O Arauto da Verdade, que se tornou posteriormente O Atalaia e depois, novamente, Sinais dos Tempos

Para melhor atender à obra de publicações, foi decidido o estabelecimento de uma editora denominacional no Brasil. Por sugestão do pastor Graf, foi instalada junto à Escola Missionária de Taquari, no Rio Grande do Sul. Assim, conseguiu-se economia de locação e proporcionou-se trabalho aos alunos do colégio.

A fim de conseguir dinheiro e um prelo para dar início às publicações, o pastor John Lipke viajou aos Estados Unidos e, em várias igrejas daquele País, falou sobre as necessidades da Obra no Brasil. Seu apelo foi atendido: recebeu 1.500 dólares em donativos, e o Emmanuel Missionary College, de Barrien Springs, doou um prelo manual para a imprensa a ser fundada em Taquari.


Editora adventista em Taquari e a réplica do primeiro prelo, doado pelo Emmanuel Missionary College

George Sabeff, que fora aos Estados Unidos estudar Medicina, ganhava seu sustento trabalhando na Sociedade Internacional de Tratados. Ouvindo o apelo de John Lipke, veio ao Brasil trazendo consigo o material necessário ao funcionamento da editora. Com sua experiência em tipografia, Sabeff montou o prelo, as instalações correspondentes e passou a fazer a composição das primeiras publicações, tendo Augusto Preuss como ajudante. Augusto Pages foi convidado para ser o gerente da Sociedade Internacional de Tratados do Brasil.

A editora de Taquari produziu a primeira edição do Arauto da Verdade em 10 de maio de 1905. Outros periódicos se seguiram: o Advent Arbeiter, Rundschau der Adventisten, para os adventistas alemães e, a partir de 1906, a Revista Trimensal, precursora da Revista Mensal (1908). A Revista Adventista começou a ser publicada em 1931. Um opúsculo de trinta e duas páginas, A Segunda Vinda de Cristo, foi a primeira obra impressa; o primeiro livro foi A Vinda Gloriosa de Cristo.

No fim de 1907, a tipografia mudou-se para São Bernardo (hoje Santo André, SP), num local onde viria a funcionar a Casa Publicadora Brasileira, até ser transferida para Tatuí (em 1985), onde se encontra até hoje. São Bernardo, por ser mais central, facilitava o transporte e a divulgação da literatura nos vários Estados. Em 1908, chegaram dois prelos movidos com motor a gasolina, acelerando a produção. Mas, mesmo assim, o trabalho não era nada fácil pois “cada um tinha que, além de redigir, incumbir-se de traduzir e providenciar as colaborações, também arrumar as ilustrações e incumbir-se de outras tarefas, hoje ao encargo do departamento de arte e diagramação, cuja ausência naquele tempo fazia muita falta, aumentando e dificultando muito nosso trabalho”[4], escreveu o pastor Luiz Waldvogel.


Casa Publicadora Brasileira em Santo André (de 1907 a 1985) e em Tatuí

Hoje a igreja na Divisão Sul-Americana conta com os serviços de duas publicadoras. A Editora Sudamericana, em Buenos Aires, Argentina, é responsável pela literatura para os sete países de língua hispânica no continente. A Casa Publicadora Brasileira, em Tatuí, SP, atende o Brasil e outros países de fala portuguesa.

A Obra Educacional

Onde chega a mensagem adventista logo surgem escolas e colégios. No Brasil não foi diferente. Já no ano de 1896, em Curitiba, PR, passou a funcionar o primeiro Educandário Adventista dirigido pelo professor Guilherme Stein Jr., auxiliado por Vicente Schmidt, chegando a alcançar uma matrícula de 120 alunos logo no primeiro ano de existência.


Escola Internacional de Curitiba, 1896

Em 15 de outubro de 1897, foi fundada a primeira Escola Missionária no Brasil, em Gaspar Alto, sob a direção do professor Guilherme Stein Jr., substituído em 1900 por John Lipke, a convite dos pastores Spies e Thurston.

O pastor Renato E. Oberg, juntamente com os pastores R. R. Figuhr e Rodolfo Belz, visitou Gaspar Alto em fevereiro de 1944 – “a mais antiga comunidade adventista no Brasil”, escreveu ele na Revista Adventista de setembro de 1944, página 23. Na ocasião, conta o pastor Oberg, eles tiveram o “prazer imenso de conversar com alguns daqueles irmãos que viram os alvores da mensagem angélica em nosso torrão nacional”.

Bernardo Loeschner, um dos pioneiros ainda vivo na época, mostrou aos pastores um caderno bastante antigo, cujas páginas amareladas revelaram um conteúdo bastante precioso: era o livro de registros que continha a ata da primeira reunião da Junta Escolar da primeira escola paroquial adventista no Brasil. Abaixo, um trecho da ata:

“História da fundação da Escola Adventista de Brusque.

“‘Pois a sabedoria entrará no teu coração, e a ciência será suave à tua alma; o bom siso te guardará e a inteligência te conservará.’ Prov. 2:10 e 11.

“No dia 15 de outubro de 1897 esteve reunida a igreja dos adventistas do sétimo dia, em Brusque, na casa do irmão Augusto Olm, a fim de tratar da fundação de uma escola. Assistiram a esta reunião os seguintes membros: Augusto Olm, ancião; Reinoldo Belz, diácono; Francisco Belz, secretário; Guilherme Belz; Guilherme Belz Filho; Guilherme Wagner; Francisco Peggau; Bernardo Loeschner; Ludovico Log; Frederico Peggau; H. F. Graf, superintendente do campo missionário brasileiro; A. L. Stauffer, missionário; e G. Stein, professor.”

Na escola de Gaspar Alto o ensino era ministrado em alemão. De manhã funcionava o nível primário e à tarde, o secundário. O edifício escolar estava dividido em duas partes, uma para a igreja e outra para as atividades do colégio. Em 1900, já dispunha de um dormitório para alunos internos. Funcionava como escola agroindustrial, como os demais colégios adventistas que posteriormente foram estabelecidos no Brasil. Os alunos trabalhavam 26 horas semanais e conseguiam assim pagar seus estipêndios incluindo alojamento, pensão e estudo.[6]

William H. Thurston apresentou à Conferência Geral, em 1900, um relatório sobre a escola de Gaspar Alto: “Nossa Escola Missionária está localizada a cerca de 13 quilômetros da cidade mais próxima, em um belo vale, pelo qual escoa um cristalino regato, e está circundada pela influência celestial de uma grande igreja. ...Temos 60 acres de terra, um dormitório para alojar adequadamente 40 alunos, e um edifício escolar, tudo já totalmente de nossa propriedade.”[7]


Primeira Escola Missionária do Brasil, 1897

A segunda Escola Missionária foi fundada em Taquari, RS, em agosto de 1903, tendo como diretor o professor Emílio Schenk. Posteriormente foi transferida para São Paulo, por sua melhor localização. Entre os alunos que estudaram nessa escola missionária estavam Leopoldo Preuss, Saturnino Mendes de Oliveira e José Amador dos Reis, o primeiro pastor brasileiro a ser ordenado ao ministério.

Em 1915 foi estabelecido o Seminário Adventista, conhecido depois como Colégio Adventista Brasileiro (CAB), Instituto Adventista de Ensino (IAE) e, atualmente, Centro Universitário Adventista, campus São Paulo. Seus fundadores foram John Lipke e John Boehm. O primeiro professor foi Paulo Henning, que no dia 4 de agosto de 1915 ministrou a primeira aula a 12 alunos.

Hoje são três campi (São Paulo, Engenheiro Coelho e Hortolândia) que compõem o Centro Universitário Adventista, aprovado pelo Governo Federal, cujo decreto foi publicado no Diário Oficial da União, no dia 10 de setembro de 1999.


Colégio Adventista Brasileiro e o atual Unasp, campus Engenheiro Coelho

Hoje a igreja no Brasil possui centenas de instituições de educação, entre escolas primárias, secundárias e universidades, que se somam às milhares de escolas e universidades adventistas espalhadas pelo mundo.

A Obra Médico-Missionária

Paralelamente à pregação do evangelho e ao estabelecimento de escolas, o adventismo procura ensinar ao povo os princípios de uma vida mais sadia, à base de alimentos naturais e abstenção de tudo que seja prejudicial ao corpo.

Quando o pastor Huldreich Graf chegou ao Brasil – em 1895 – procurou ensinar a importância dos tratamentos naturais, chegou mesmo a ministrá-los, quando não havia outros recursos disponíveis.

Foi em 1900 que o Dr. Abel Gregory, médico e dentista norte-americano, veio ao Brasil como missionário voluntário, para auxiliar no desenvolvimento da Obra no Rio Grande do Sul. Graças a seus serviços foram derrubados muitos preconceitos contra a Igreja Adventista.

Ernesto Bergold, impressionado com os princípios de saúde adventistas, converteu-se ao adventismo e decidiu manter por conta própria um hospital para administração de hidroterapia e tratamentos naturais, em Taquara, RS. O estabelecimento funcionou até 1928, no local onde hoje se encontra o Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS). (Os filhos de Ernesto – Adolfo e Ernesto – desempenharam importante papel no início das atividades da empresa denominacional que viria a ser conhecida como Superbom, produtos alimentícios naturais.)

O trabalho de assistência social aos povos do sertão e aos índios Carajás, na Missão do Rio Araguaia, foi prestado em parte pelo Pastor A. N. Allen, em 1928. Maior impulso, contudo, foi dado a este setor a partir do ano de 1953, quando foi inaugurada a lancha Pioneira, pilotada pelo enfermeiro-missionário Lair Montebelo. Só no setor de Araguacema, em quatro anos de atividade, foram atendidas mais de 23 mil pessoas com tratamentos, instruções e medicamentos.

No vasto Amazonas, a lancha médico-missionária Luzeiro I, pilotada pelo missionário Leo B. Halliwell e sua esposa Jessie, possibilitou também a execução de grande trabalho filantrópico na região banhada pelo Rio Amazonas e seus afluentes. O pastor Halliwel e sua esposa, a partir de 1931, dedicaram 25 anos ao trabalho entre os habitantes carentes do Vale do Amazonas. Atenderam 250 mil pessoas, muitas das quais se converteram ao adventismo. Ainda hoje o trabalho dos Halliwel é lembrado pelo povo da região.

Não havia ainda Igreja Adventista quando Leo e Jessie foram trabalhar no Rio Amazonas. Em 1956, porém, já havia 22 igrejas, 56 escolas sabatinas, três mil membros batizados, 15 escolas elementares, 15 professores que ensinavam cerca de mil alunos, um hospital, dois médicos e enfermeiras, 15 pastores e evangelistas.

Em 1959 já eram quatro Luzeiro servindo no Vale do Amazonas e outra lancha atendendo aos habitantes próximos ao Rio Parnaíba, na divisa do Maranhão com o Piauí.

Em 1946, no Rio São Francisco, a lancha Luminar, por dez anos pilotada pelo pastor Paulo Seidl, prestou assistência a cerca de 46 mil doentes nos Estados da Bahia e Minas Gerais. Quase na mesma época, Benito Ribeira atendia as populações pobres e doentes do Vale do Rio Ribeira, em São Paulo, com a lancha Samaritana.

Leo e Jessie Halliwel, os missionários do Amazonas

Em 1994, a Igreja Adventista contava com 25 instituições de saúde, 1.004 leitos e 3.862 obreiros e funcionários. Em quatro anos (90-94) foram atendidos mais de 200 mil pacientes, que tomaram conhecimento dos princípios de saúde adventistas.

Por mais de duas décadas a igreja promove o Dia Sem Fumar e Sem Beber. Esse programa foi iniciado no Chile, pelos jovens adventistas, tendo se espalhado por toda a América do Sul. Milhares de jovens, desbravadores e alunos das escolas adventistas saem às ruas nesse dia convidando o povo a não fumar e não beber, expondo os males desses vícios.

Além disso, as Escolas de Recuperação de Alcoólatras, os Cursos Como Deixar de Fumar e Beber, palestras sobre saúde e outras “tem ajudado milhares de pessoas a vencerem o vício ... e aceitarem a Cristo como seu Salvador Pessoal”.[8]

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“Por alguns anos, os cientistas têm-se interessado em estudar a saúde dos adventistas... Por mais de cem anos os adventistas têm insistido na importância da saúde e da dieta, e da necessidade de moderação na ingestão de alimentos ricos em açúcar e gordura saturada... Em quase todas as doenças de importância, os adventistas estão muito abaixo da média no que diz respeito ao risco. Algumas diferenças são surpreendentes, como por exemplo, na enorme redução do risco do infarto do miocárdio para homens, que cuidadosamente seguem as idéias de saúde de sua Igreja... Nas informações obtidas... podemos observar que um homem adventista, cuja idade esteja entre 35 e 40 anos, na Califórnia, pode esperar viver seis anos mais do que seu companheiro mediano. E ele não apenas vai viver mais, provavelmente vai viver melhor durante esse período... Essa melhora, em expectativa de vida, é maior do que todos os esforços em saúde pública conseguiram junto à população nos últimos setenta anos.”[9]

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“Ao recapitular a nossa história passada, havendo revisado cada passo do progresso até ao nosso nível atual, posso dizer: louvado seja Deus! Ao ver o que Deus tem obrado, encho-me de admiração e de confiança na liderança de Cristo. Nada temos para recear quanto ao futuro, a menos que nos esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado, e os ensinos que nos ministrou no passado” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 3, p. 443).

Referências:

1. História de Nossa Igreja. Departamento de Educação da Associação Geral da IASD, 1959, p. 312.
2. Seventh-Day Adventist Encyclopedia, verbete Graf, Huldreich F., p. 473 – citado por Ruy Carlos de Camargo Vieira em Vida e Obra de Guilherme Stein Jr. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1995, p. 142.
3. Moróz, David. “Origem e História dos Adventistas no Rio Grande do Sul”, Revista Adventista, janeiro/94, p. 35.
4. Waldvogel, Luiz. Memórias do Tio Luiz, Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1988, p. 142, 143.
5. Dados obtidos do relatório do pastor João Wolff sobre as atividades da Divisão Sul-Americana da IASD no qüinqüênio 1990-94, Revista Adventista, junho/95, p. 7, 8.
6. Peverine, Héctor J. En Las Huellas de La Providencia, Argentina: Associacion Casa Editora Sudamericana, 1988, p. 108.
7. General Conference Bulletin, v. IV, extra número 5, 1st quarter, 1901, p. 121 – citado por Ruy Carlos de Camargo Vieira, op. cit., p. 155.
8. Relatório do pastor João Wolff sobre as atividades da Divisão Sul-Americana da IASD no qüinqüênio 1990-94, Revista Adventista, junho/95, p. 9.
9. Seis Anos a Mais. Instituto Adventista de Estudos em Saúde, São Paulo: 1988, p. 4-6.